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entrEMES_# 5   |   i m a g e s




Será possível determinar o ponto de fronteira que delimita a música composta da música improvisada? Ou mesmo, o ponto onde cessa o domínio da música e se inicia o do som? Existirá porventura uma fronteira, em qualquer  dos casos?

Fará sentido avaliar e separar a criação em função dos meios utilizados? Um piano não poderá ser tomado como um instrumento de elevada complexidade quando tocado por um nativo da Nova Guiné? Um computador portátil não representará a mesma proporção de análise aos olhos de um europeu médio?

A estas e outras questões, diferentes pessoas, dar-nos-ão diferentes respostas. E todas elas, em função do momento, do seu estado de espírito e sobretudo da memória que foram construindo ao longo dos anos (cultural em geral, e musical em particular).

Em valores absolutos, diria que a maior diferença entre um piano e um laptop está no peso de cada um.

Mais do que respostas ou verdades absolutas, pretende-se com estes concertos lançar questões a partir de trabalhos de artistas com propostas musicais, sonoras  e visuais bastante diversificadas.

Em comum,  têm como objectivo o alargamento de fronteiras e um sentido de procura incessante, onde as ideias de sucesso ou fracasso não fazem grande sentido. A ideia de descoberta sobrepõe-se a qualquer ditadura estética, e quanto ao discurso –ou estilo- cada um tem o seu! Tal como os rostos.

v.j.




Joe Giardullo

[ http://joegiardullo.com ]

Saxofonista (soprano sobretudo, mas também alto), clarinetista baixo e flautista norte-americano de ascendência italiana, Joe Giardullo surgiu em cena nos anos 70, quando o free jazz estava a viver a sua segunda vaga de força com a "loft generation". A sua visão "camerística" do free, no entanto, dificultou a sua aceitação na altura, pelo que se retirou para voltar no início da década de 90, e desta vez com um sucesso notável. A solo, com os seus próprios grupos ou ao lado de músicos como Joe McPhee, Milford Graves, Steve Lacy, Marilyn Crispell ou Roy Campbell, tornou-se numa das mais reputadas figuras da nova vida que o free jazz está a ter. O seu universo musical não se limita, no entanto, ao âmbito jazzístico. O seu interesse pelos conceitos de "deep listening" professados por Pauline Oliveros levaram-no a colaborar com esta compositora electroacústica e a integrar a sua Deep Listening Band. Outras experiências não conotáveis com o jazz têm centrado as atenções de Giardullo, que já trabalhou com colectivos de percussão de características pan-africanas e com um coro experimental polaco, para além de ter realizado incursões na livre-improvisação com músicos europeus. Um deles é o português Carlos "Zingaro", com quem gravou ao vivo, na Mãe de Água, em Lisboa, no ano passado, um CD em duo que será publicado nos Estados Unidos este mesmo Verão...
 

Designer e programador Web para além de músico/artista sonoro, é mais conhecido como OK.Suitcase nas suas incursões pela electrónica digital. Colaborou com Nuno Moita no projecto Stapletape e integrou o colectivo [des]integração. Em paralelo tem a seu cargo as programações, a síntese e a manipulação sonora do grupo de pós-rock In Her Space, bem como a manipulação áudio do Anabela Duarte Digital Quartet. Mantendo o conceito da improvisação e trabalhando sempre em tempo real, trabalhou também em sonoplastia para teatro com a companhia teatral Inestética. Em vídeo tem desenvolvido, em conjunto com Diogo Valério, trabalhos para a editora Groovement e a Lisbon City Records.
 


Carlos Santos

[ http://www.granular.fm/_/a/carlossantos.php ]
[ http://www.sirr-ecords.com/vitriol.html ]


Com formação em pintura (estudou com António Sena) e actividade paralela como designer gráfico, foi um dos fundadores, com Paulo Raposo, do projecto Vitriol, integrou o colectivo [des]integração e tem desenvolvido trabalho com músicos como Ernesto Rodrigues, Ulrich Mitzlaff, Carlos "Zingaro", Pedro Rebelo, Manuel Mota e Vítor Joaquim, entre outros. Especializou-se na exploração de métodos de colagem e justaposição de sons concretos e desenha o seu próprio software. Trabalhou em colaboração com variados suportes e artistas, particularmente vídeo e dança.




Vítor Joaquim

[ http://www.granular.fm/_/a/vitorjoaquim.php ]
[ http://www.cronicaelectronica.org/index.php?a=vitorjoaquim ]

Com formação em cinema, uma boa parte do percurso de Vítor Joaquim tem sido dedicado à composição para dança, teatro, filmes e vídeo. Desenvolveu trabalho com criadores como Mónica Calle, Mark Haim, Vera Mantero, Paulo Ribeiro, Álvaro Correia, Luis Fonseca, Vitor Garcia, Guillermo W. Molina, Sónia Rocha, Sandro Aguilar, Stephanie Tiersch, Teresa Ranieri, Marija Stamancovich ou Rui Horta.
Tendo como base de trabalho a utilização simultânea de diversos softwares  e a manipulação de pequenos dispositivos electroacústicos, apresenta-se ao vivo, preferencialmente, em contexto de improvisação e composição instantânea, tanto a solo como  em formações diversas. Destaca no seu trabalho a implementação do "free-software" e do espirito "open source"  tomando o software FMOL do catalão Sergi Jordá, como grande exemplo desta filosofia.  Ao vivo ou em disco, colaborou com: Carlos Zíngaro, Nuno Rebelo, Rodrigo Amado, Emidio Buchinho, Carlos Santos, Pedro Rebelo, Return, André Sier, Eric Linder, Gregg Moore, @C, Harald Sack Ziegler, Paulo Raposo, Miguel Carvalhais, Sergi Jordá, Scanner, Pure, Keiko Uenishi, Pedro Rebelo, Marc Behrens, Franziska Schroeder e Paolo Angeli, entre outros.